II. Diferenças na composição química segundo três normas
A composição química está expressa em fração mássica, em %
| Norma | Designação | C | Si | Mn | P | S | Cr | Mo |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| GB/T 3077-2015 “Aços Estruturais Liga” |
35CrMo | 0,32-0,40 | 0,17-0,37 | 0,40-0,70 | 0,80-1,10 | 0,15-0,25 | ||
| GB/T 6478-2015 “Aços para Estampagem e Extrusão a Frio” |
ML35CrMo | 0,33-0,38 | 0,10-0,30 | 0,60-0,90 | ≤0,025 | ≤0,025 | 0,90-1,20 | 0,15-0,30 | tr
| GB/T 28906-2025 “Fio Bobinado Laminado a Quente para Estampagem a Frio” |
ML35CrMo | 0,33-0,38 | 0,10-0,30 | 0,60-0,90 | ≤0,025 | ≤0,020 | 0,90-1,20 | 0,15-0,25 | tr
III. Significado prático das diferenças na composição química 1. Faixa de carbono diferente, influenciando a estabilidade das propriedades em lotes No GB/T 3077, o 35CrMo apresenta teor de carbono entre 0,32% e 0,40%; já no GB/T 6478 e no GB/T 28906, o ML35CrMo possui teor de carbono entre 0,33% e 0,38%. A faixa mais estreita do ML35CrMo favorece a consistência das propriedades após o tratamento térmico subsequente à conformação a frio, sendo mais adequada para controlar variações de resistência em produção em série. 2. Controle distinto do teor de silício, afetando o desempenho na conformação a frio O 35CrMo apresenta teor de Si entre 0,17% e 0,37%; já o ML35CrMo mantém esse valor entre 0,10% e 0,30%. Materiais destinados à conformação a frio são particularmente sensíveis à ductilidade, à resistência à deformação e ao risco de fissuração. A faixa mais baixa e estreita de Si atende melhor aos requisitos de ductilidade necessários para a conformação a frio. 3. Diferença na faixa de manganês, impactando a temperabilidade e a compatibilidade de resistência O 35CrMo possui Mn entre 0,40% e 0,70%; já o ML35CrMo apresenta Mn entre 0,60% e 0,90%. A faixa superior de controle do ML35CrMo contribui para aumentar a temperabilidade do material, promovendo melhor compatibilidade com as propriedades obtidas após o tratamento térmico posterior. 4. Variação no teor de cromo, influenciando a estabilidade após o tratamento térmico O 35CrMo apresenta Cr entre 0,80% e 1,10%; já o ML35CrMo possui Cr entre 0,90% e 1,20%. A faixa ligeiramente mais elevada do ML35CrMo favorece a manutenção estável da resistência e da temperabilidade dos fixadores de alta resistência após o tratamento térmico. 5. Requisitos distintos para o molibdênio, refletindo diferentes lógicas normativas No GB/T 3077, o 35CrMo exige Mo entre 0,15% e 0,25%; já no GB/T 6478, o ML35CrMo requer Mo entre 0,15% e 0,30%; e na GB/T 28906-2025, o ML35CrMo ainda especifica Mo entre 0,15% e 0,25%. Isso demonstra que as diferentes normas não possuem exatamente as mesmas tolerâncias para o molibdênio. Na hora da compra, não basta observar apenas a designação do aço; é fundamental identificar claramente qual norma está sendo seguida. 6. Controle distinto do enxofre, diretamente relacionado ao risco de fissuração na estampagem a frio Na GB/T 6478, o ML35CrMo limita o teor de S a ≤0,025; já na GB/T 28906-2025, essa exigência é ainda mais rigorosa, com S limitado a ≤0,020. Para o fio bobinado laminado a quente destinado à estampagem a frio, um controle mais estrito do enxofre ajuda a reduzir inclusões, trincas e o risco de fissuração durante a conformação. Isso é especialmente importante em processos de estampagem a frio em múltiplas etapas ou para produtos submetidos a grandes deformações. IV. Por que materiais com composições similares não podem ser substituídos indiscriminadamente? Embora superficialmente o 35CrMo e o ML35CrMo pertençam à mesma família Cr-Mo, suas normas têm focos distintos de controle. O 35CrMo concentra-se na composição química, na resistência, na temperabilidade e nas propriedades gerais após o tratamento térmico; já o ML35CrMo prioriza a qualidade superficial, a limpeza, a microestrutura, o comportamento durante o trefilação e a estabilidade dimensional durante a conformação a frio. É por isso que alguns materiais, mesmo apresentando composições químicas aparentemente adequadas, acabam apresentando fissuras na cabeça, trincas na flange, aumento do desgaste dos moldes ou até instabilidade em lotes quando utilizados em máquinas de estampagem a frio. O problema nem sempre está na designação do aço, mas sim no estado de entrega do material e na sua adequação à conformação a frio. V. Recomendações para compras eficazes Ao selecionar entre 35CrMo e ML35CrMo, recomenda-se verificar cuidadosamente os seguintes aspectos: Aspecto a verificar Pontos de atenção Requisitos do cliente Trata-se de 35CrMo ou há exigência explícita por ML35CrMo? Norma aplicável GB/T 3077, GB/T 6478 ou GB/T 28906? Forma de fornecimento Barra redonda, arame ou fio bobinado laminado a quente? Processos subsequentes Há necessidade de trefilação, recozimento de sferoidização, estampagem a frio ou tratamento térmico? Classe do produto Parafuso classe 8.8, 10.9 ou 12.9? Riscos de conformação Grande deformação envolvida? Presença de cabeças, flanges ou geometrias complexas? Controle de qualidade Atenção especial à descarbonetação, inclusões, defeitos superficiais e estabilidade em série? VI. Resumo em uma frase O 35CrMo destaca-se pela resistência e pelas propriedades após o tratamento térmico; já o ML35CrMo prioriza a estabilidade dimensional e a confiabilidade em produção em série durante a conformação a frio. Para peças mecânicas comuns, o 35CrMo pode ser suficiente; porém, para parafusos de alta resistência, parafusos de flange e peças forjadas a frio com formas especiais, especialmente fixadores das classes 10.9 e 12.9, o ML35CrMo costuma ser mais adequado para processos de produção em série via estampagem a frio. Quando a Creation Group recomenda 35CrMo, ML35CrMo ou outros arames para conformação a frio, nunca nos baseamos apenas na designação do aço. Levamos em conta desenhos técnicos, especificações do produto, nível de deformação, classe de desempenho, requisitos de tratamento térmico, forma de fornecimento e experiência anterior de produção, para determinar se o material é realmente adequado à produção em série via estampagem a frio. Pois, no caso dos fixadores, quanto maior a correspondência entre o material e o processo produtivo, maior será a estabilidade e a confiabilidade.
